domingo, 8 de fevereiro de 2026

SOBRE OS JAPONESES NÃO PRECISAREM DO CRISTIANISMO–PARTE 3

Conforme escrevi na parte 1 e na parte 2 da minha reflexão, não existe (ou raramente existe) indivíduo moralmente livre e que espontaneamente faz as coisas. Seja pela mão de uma divindade, seja pela mão da sociedade, nossa consciência acaba sendo guiada por um ente moralizante externo que de qualquer jeito nos pune em caso de desvios. Sob essa ótica, se os cristãos são condicionados a fazer o bem pelo medo do inferno, os japoneses são condicionados a fazer o bem pelo medo do “inferno social” (exclusão social, bullying, etc.) causado por seus desvios de conduta. Além disso, é uma grande desonestidade intelectual afirmar que os japoneses atingiram uma consciência moral boa sem precisarem de elementos religiosos, sendo o exemplo mais recente o “Xintoísmo de Estado” no fim do século 19. Sobre isso, parafraseei especialistas:

O "Xintoísmo de Estado" surgido na Era Meiji (1867-1912) foi uma construção totalmente artificial promovida por líderes modernizantes que pretendiam criar uma ideologia nacionalista para unir o povo em torno de símbolos que representassem o novo Japão e foi um importante elemento da organização social japonesa, exercendo um papel central na vida dos japoneses.

Veja que, sob uma ótica sociológica, os elementos de controle social são os mesmos. Apenas os nomes são diferentes. Ainda, segundo Leonardo Henrique Luiz, graduado em História pela Universidade Estadual de Londrina e mestrando em História Social pela mesma instituição citando um artigo de Mark E. Lincicome para o The Journal of Asian Studies, “o Japão é citado por diversos estudiosos como o caso exemplar da formação e disseminação de uma consciência nacional que não existia antes. Sendo que geralmente o período de 1868 a 1890 é tido como o momento do estabelecimento de uma revivificada identidade nacional a partir da fórmula: imperador (centro do nacionalismo) mais propaganda pelo sistema escolar.

Perceba que houve sim no Japão a imposição de uma doutrina religiosa para fundamentar uma ideologia nacionalista através da qual o povo se unisse e se fortalecesse como NAÇÃO. Exatamente o que acusam o cristianismo de ter feito ao longo da História ao ser misturado com a política. E já que o foco do assunto é uma suposta diferença entre cristianismo e código moral japonês (no aspecto de construção social), trago a seguir o que diz o parágrafo 1035 do Catecismo da Igreja Católica:

A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente, após a morte, aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, «o fogo eterno». A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira.

Poderíamos dizer que o Inferno remete à separação, infelicidade, angústia e desesperança. Ora, sob o aspecto social, é possível também “punir” pessoas desviadas da conduta moral, com separação e lhes causando um estado de infelicidade, angústia e desesperança, através de outros elementos como o preconceito, a exclusão social, o bullying, etc. Trocando em miúdos: a ausência de sentimento religioso NÃO anula a existência dos mesmíssimos mecanismos de controle social que vemos em qualquer sociedade. Como eu disse, a diferença está apenas nos nomes que as pessoas dão aos métodos usados.

Se para os cristãos o afastamento de DEUS (ente moralizante externo) tem como consequência o Inferno (infelicidade, angústia e desesperança), para os japoneses, este mesmo “Inferno” (infelicidade, angústia e desesperança) é vivido por aqueles que se afastam da SOCIEDADE (ente moralizante externo).

Diante da minha argumentação, um ponto que ainda pode ser levantado é este:

“Acabei concordando que, socialmente falando, não existe diferença entre um código moral religioso e um código moral não religioso. Contudo, olhando para a realidade, a moral japonesa pelo menos produziu uma sociedade economicamente próspera e organizada

O argumento do “pelo menos uma economia próspera e uma sociedade organizada” é comum para tentar relativizar os problemas do Japão e passar a ideia de que um código religioso é desnecessário. Porém, com base no que apontei nestas postagens, isso só seria verdadeiro SE:

(1) a moral social japonesa fosse totalmente desprovida de qualquer elemento religioso independentemente do período histórico;

(2) o cristianismo (ou qualquer outra religião) não tivesse proporcionado nenhuma contribuição positiva para a humanidade independentemente do período histórico;

(3) O Japão fosse uma sociedade economicamente próspera e organizada DESDE SEMPRE;

(4) O Japão não tivesse cometido nenhuma atrocidade, respeitando, no passado, o espaço do outro;

(5) Não houvesse sociedade com base cristã (ou religiosa) próspera e organizada.

Além de esse argumento confundir resultado histórico com causa moral, nenhum desses cinco pontos é verdadeiro. (1) A moral social japonesa TEM elementos religiosos, (2) o cristianismo é tido como elemento fundamental para a construção do Ocidente como um todo, (3) faz menos de 80 anos que o Japão é uma nação economicamente próspera (e ironicamente depois de ter se aberto ao mundo), (4) o Japão teve um discurso de excepcionalismo (superioridade), projetos imperialistas cometendo grandes atrocidades justamente em nome de uma “religião de Estado” e (5) no Ocidente há sociedades prósperas economicamente, cada uma atualmente com um maior ou menor grau de influência religiosa, mas ela AINDA existe. Logo:

nenhum sistema moral é plenamente neutro;

→ toda sociedade envolve algum grau de coerção moral;

julgar religiões ignorando a história é desonestidade intelectual;

→ ausência de religião explícita não implica na ausência de coerção moral.

Ademais, segundo o parágrafo 1033 do Catecismo da Igreja Católica, “(...) não podemos amar a Deus se pecarmos gravemente contra Ele, contra o nosso próximo ou contra nós mesmos: «Quem não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia o seu irmão é um homicida: ora vós sabeis que nenhum homicida tem em si a vida eterna» (1 Jo 3, 14-15). Nosso Senhor adverte-nos de que seremos separados d'Ele, se descurarmos as necessidades graves dos pobres e dos pequeninos seus irmãos (...)”.

Com base nisso, podemos dizer que o Brasil é um país realmente cristão? Só se for da boca para fora, pois no Brasil o que mais vemos é ódio uns contra os outros e uma grande indiferença com os pobres e vulneráveis. Então, é uma desonestidade intelectual muito grande comparar a moralidade dos japoneses com a de nós brasileiros como se fôssemos praticantes exemplares do cristianismo e, mesmo assim, o cristianismo não funcionasse.

Lembrando que essa crítica não é, obviamente, dirigida ao povo japonês enquanto indivíduos, mas aos mecanismos históricos e institucionais de construção moral, como existem em qualquer sociedade. Ademais, há uma frase atribuída a Mahatma Gandhi dita quando ele foi perguntado por que não se tornaria cristão e que pode ser aplicada ao discurso de excepcionalismo japonês e generalização negativa de estrangeiros: “Gosto de Cristo, só não gosto dos cristãos, porque os cristãos são tão diferentes de Cristo”. Ou seja, QUALQUER discurso de excepcionalismo japonês e generalização negativa de estrangeiro gera justamente o mesmo resultado do fanatismo e hipocrisia de alguns cristãos: desinteresse e rejeição pela cultura japonesa, assim como muitos se desinteressam pelo cristianismo o rejeitam atualmente.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

SOBRE OS JAPONESES NÃO PRECISAREM DO CRISTIANISMO–PARTE 2

Nesta postagem tratei de elaborar um contra-argumento para a ideia de um japonês com quem um youtuber teve uma interação sobre os japoneses não precisarem de cristianismo para praticarem o bem, como se o bem praticado pelos cristãos fosse apenas resultado do medo do inferno e não de uma consciência individual livre e espontânea (como supostamente acontece com os japoneses).

Na referida postagem eu disse que essa ideia é FALSA, pois, não existe (ou raramente existe) indivíduo moralmente livre e que espontaneamente faz as coisas. Seja pela mão de Deus, seja pela mão da sociedade, nossa consciência acaba sendo guiada por um ente moralizante externo que de qualquer jeito nos pune em caso de desvios. Sob essa ótica, se os cristãos são condicionados a fazer o bem pelo medo do inferno, os japoneses são condicionados a fazer o bem pelo medo do “inferno social” (exclusão social, bullying, etc.) causado por seus desvios de conduta.

Ampliando a minha argumentação, ironicamente grande parte do código de conduta social japonês atual nasceu de influências religiosas do passado (budismo, confucionismo, xintoísmo e, mais recentemente, o XINTOÍSMO DE ESTADO!!) – note aqui a presença da influência religiosa no Estado, algo que muitos criticam que o cristianismo fez!! Como mencionei na seção “Como Aprender?”, Ricardo Mário Gonçalves, professor de Religião e Pensamento Japonês da USP, diz que o "xintoísmo de estado" surgido na Era Meiji (1867-1912) foi uma "construção totalmente artificial promovida por líderes modernizantes que pretendiam criar uma ideologia nacionalista para unir o povo em torno de símbolos que representassem o novo Japão". Ainda, conforme Leonardo Henrique Luiz, Graduado em História pela Universidade Estadual de Londrina e mestrando em História Social pela mesma instituição, “o xintoísmo de Estado foi um importante elemento da organização social japonesa a partir da Restauração Meiji até o final da Segunda Guerra Mundial, exercendo um papel central na vida dos japoneses”.

Guarde bem isto:

O "xintoísmo de estado" surgido na Era Meiji (1867-1912) foi uma construção totalmente artificial promovida por líderes modernizantes que pretendiam criar uma ideologia nacionalista para unir o povo em torno de símbolos que representassem o novo Japão e foi um importante elemento da organização social japonesa, exercendo um papel central na vida dos japoneses.

Percebe a existência dos mesmos elementos (religiosos!!) que muitos criticam no cristianismo? Então, também é uma grande desonestidade intelectual dizer que o código de conduta social dos japoneses não possui elemento religioso algum. A diferença está apenas nos nomes

Outro ponto que eu gostaria de levantar nessa postagem é que, da mesma forma que o fanatismo dentro do cristianismo é prejudicial para o próprio cristianismo, o fanatismo pelo Japão é prejudicial para o próprio Japão e sua cultura. Não há como negar que se o cristianismo é mal visto por muitos hoje, é justamente por causa do fanatismo religioso e hipocrisia (maus exemplos), que fazem alguns cristãos condenarem em vez de acolherem, muitas vezes tendo uma conduta diferente daquilo que pregam. Isso só faz com que pessoas ainda indiferentes ao cristianismo acabem nutrindo em si aversão a ele.

É por isso que sou um crítico ferrenho a qualquer discurso de excepcionalismo japonês e generalização negativa de estrangeiros. Analogamente, isso é justamente o que fanáticos religiosos fazem: julgam, condenam, querem impor as coisas, generalizam negativamente os “de fora”, etc. e, com isso, acabam afastando as pessoas do cristianismo!

Em suma, é uma grande hipocrisia condenar os cristãos e o cristianismo, mas defender o excepcionalismo japonês generalizando negativamente os estrangeiros. Além de ser um grande desserviço, pois isso só vai fazer as pessoas se afastarem do Japão, assim como muitos hoje têm alguma aversão ao cristianismo.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

SOBRE OS JAPONESES NÃO PRECISAREM DO CRISTIANISMO

Há alguns meses, um youtuber (que aqui não me interessa dizer quem é, pois o importante para mim é a ideia e a argumentação) disse, em outras palavras, que, ao tentar evangelizar um japonês, recebeu dele a resposta de que os japoneses não precisam do cristianismo, pois os japoneses não precisam de uma divindade e do medo do Inferno para saberem o que é certo e o que é errado. Segundo o japonês, os cristãos só fazem o bem por medo do inferno. Também disse que ele não precisaria do cristianismo, haja vista que o Brasil, um país cristão, é um país extremamente violento.

Resolvi comentar isso só agora, pois gosto de papos filosóficos feitos em meio à calmaria e não em meio a emoções, como numa torcida de futebol.

Embora essas afirmações soem sofisticadas e corretas, elas se sustentam sobre uma falsa oposição: a ideia de que, sem um Deus religioso, restaria apenas a consciência individual livre de qualquer força moral reguladora. Essa oposição simplesmente não existe na prática. Eu diria que todo ser humano tem um “ente moralizante fora dele”: se este ente moralizante fora dele não for uma divindade, ele será a PRÓPRIA SOCIEDADE, por meio de suas tradições, costumes, leis e… sobretudo PUNIÇÕES, sejam essas punições vindas de outras pessoas (como o bullying e a exclusão social), sejam elas vindas das autoridades competentes (multas e prisões). Sendo assim, no Japão, o papel moral que o cristianismo exerce no Ocidente é feito através de outros métodos, mas o mecanismo é exatamente o mesmo.

UM ENTE EXTERNO AO INDIVÍDUO DEFINE O QUE É CERTO E ERRADO,  ESSE CÓDIGO MORAL É REPASSADO AOS INDIVÍDUOS, QUE SOFREM PUNIÇÕES SE HOUVER DESVIOS

Se os cristãos pregam o inferno depois da morte aos desviados, esse mesmo inferno (entendido como punição) existe sim para os japoneses desviados (na forma de bullying e exclusão social, por exemplo). Se os cristãos só fazem o bem por causa do medo do inferno, porque não admitir a possibilidade de que os japoneses só fazem o bem por medo do “inferno” que pode vir da sociedade? O comportamento correto dos japoneses pode não ser regulado pelo medo de uma punição transcendente após a morte, mas é regulado pelo temor constante de envergonhar o grupo, perder reputação ou ser socialmente excluído. Nesse sentido, o “Inferno” não desaparece; ele apenas muda de lugar. O “ente moralizante” (fora do individuo) também não desaparece: para os cristãos (ou religiosos no geral) o ente moralizante é uma divindade; para os japoneses, a própria sociedade com suas tradições e costumes.

Se os cristãos (ou religiosos) acabam sendo mal vistos por fazerem proselitismo como se não houvesse coisa boa fora de seu código religioso, os japoneses também podem acabar sendo mal vistos por seu “proselitismo cultural” (vide os constantes ataques recentes a estrangeiros depois do aparecimento do Sanseito ou mesmo as atrocidades do imperialismo japonês num passado recente). Ora, se os cristãos (ou religiosos no geral) deveriam impor sua conduta moral apenas aos seus adeptos e da porta para dentro do templo, por que os japoneses não deveriam fazer o mesmo (apenas para quem gosta do Japão e está dentro do Japão), sem ficar atacando de forma generalizada estrangeiros ou, no passado, tendo projetos imperialistas e cometendo atrocidades? Ora, assim como pessoas têm o direito de não se interessar por uma doutrina religiosa, ninguém é obrigado a se interessar pela cultura do Japão não estando no Japão. Por que atacar o Brasil por haver muitos homicídios e roubos, já que isso indica justamente a falta de um “ente moralizante”, seja ele a religião ou a própria sociedade, apesar de muitos brasileiros usarem uma fachada de religiosidade? Além disso, se for para pinçar os maus exemplos para dizer que o todo não presta, então nenhum grupo presta, pois em todos os grupos há as laranjas podres.

Finalizando, nenhuma sociedade vive sem um princípio moral regulador. Quando Deus deixa de ocupar esse lugar, a sociedade o assume. O que muda não é a existência do medo moral, mas apenas de quem se tem medo. Analisando friamente, não existe (ou raramente existe) indivíduo moralmente livre e que espontaneamente faz as coisas. Seja pela mão de Deus, seja pela mão da sociedade, nossa consciência acaba sendo guiada por um ente moralizante externo que de qualquer jeito nos pune em caso de desvios.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

SEÇÃO “PESQUISAR NO BLOG” ATUALIZADA!

Com a ajuda dos meus “programadores virtuais”, atualizei o seção de pesquisa do blog Ganbarou Ze!, que há tempos estava meio bugada.

Por algum motivo desconhecido, a busca não estava mostrando todos os resultados possíveis, o que estava me incomodando. Além disso, eu achava o modo de exibição dos resultados um pouco poluída. Agora, contudo, o visual está mais limpo, organizado e polido.

Agora ficou muito mais fácil de encontrar os padrões gramaticais contidos no blog. Vale ressaltar que o blog Ganbarou Ze! talvez esteja no Top 3 mundial quando se trata de quantidade de padrões gramaticais abordados.

domingo, 25 de janeiro de 2026

ATUALIZAÇÕES QUE FAZEM A DIFERENÇA

Conforme disse na postagem anterior, eu aumentei a frequência de atualizações do Dicionário Ganbarou Ze!, que agora podem acontecer também às quartas-feiras.

Em números isso faz diferença, pois o projeto EDICT é atualizado diariamente. Só para você ter uma ideia, peguemos a quantidade de palavras que o dicionário Ganbarou Ze! tinha em 07/09/2025, como consta em uma imagem do arquivo de ajuda do Dicionário: eram 1.060.311 palavras.

Na última atualização, feita na data desta postagem (25/01/2026), são 1.063.634 palavras. Ou seja, em um período de 140 dias, foram adicionadas 3.323 palavras! Considerando uma média, isso daria, mais ou menos, 8600 novas palavras por ano!

E a boa notícia é que o Dicionário Ganbarou Ze! é atualmente o ÚNICO dicionário em língua não inglesa que acompanha as atualizações do projeto EDICT de forma tão constante. Além disso, quando julgo necessário, costumo acrescentar uma explicação da palavra, visto que os editores do projeto EDICT têm preferência por traduções diretas e simples.

E mais: eu poderia até dizer que o Dicionário Ganbarou Ze! é atualizado diariamente de certa forma, haja vista que o dicionário tem a funcionalidade de tradução automática, que é acionada provisoriamente quando uma palavra não é encontrada em nossa base, mas já consta nas atualizações diárias do projeto EDICT.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

ATUALIZAÇÕES MAIS FREQUENTES?

Se você costuma visitar o Ganbarou Ze! com frequência, deve ter percebido que o nosso dicionário vem sendo atualizado também às quartas-feiras!

É por que eu, juntamente com meus “programadores virtuais” aprimoramos os códigos das ferramentas que uso para “capturar” as novas palavras adicionadas ao projeto EDICT. O Ganbarou Ze! já era o único projeto completo de tradução do projeto EDICT e mais atualizado, e esses aprimoramentos reforçam essa nossa marca!

Por falar em atualizações, eu ainda não sei se disponibilizarei uma nova versão do ebook “Gramática Fácil”. Sinceramente, não estou motivado para fazer isso (embora mantenha o meu arquivo .docx pessoal atualizado), pelo fato de que o engajamento e divulgação por parte de quem consome o conteúdo continua praticamente nulo.

Como eu já afirmei em postagens anteriores, ficar criando conteúdo nas redes sociais e/ou publicações mesmo com engajamento e divulgação praticamente nulos acaba “queimando” a imagem do projeto. As pessoas que ainda não conhecem o projeto e por ventura se deparam com muito conteúdo e publicações, mas pouco engajamento e divulgação tenderão a ter como primeira impressão que o conteúdo não tem qualidade. Uma analogia é quando uma página tem muitos seguidores, mas pouco engajamento, e as pessoas logo pensam que o administrador da página comprou seguidores para passar uma impressão de qualidade, isto é, quanto mais seguidores, mais qualidade.

Portanto, a menos que outro nicho “adote” este projeto, 2026 será um ano de atualizações somente. Nada de ferramentas novas ou novas publicações. Em 2025 eu aprimorei muito o Dicionário Ganbarou Ze!, desenvolvi ferramentas inovadoras, dediquei horas, mas permaneço no deserto, então… continuo não querendo mais nada com o nicho dos fãs do Japão.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

UM BALANÇO DE 2025

Hoje é o último dia de 2025, ano que o Projeto Ganbarou Ze! completou 11 anos de existência e posso dizer que tive conquistas pessoais muito importantes em relação ao projeto.

Com certeza, a mais importante conquista pessoal foi o término da tradução de toda base do projeto EDICT em julho. Além de ser algo inédito para os falantes de língua portuguesa, essa conquista se torna um marco ainda mais importante para mim, pois só eu sei a enorme quantidade de horas que dediquei SOZINHO para que isso fosse possível. Em outras palavras, uma conquista se torna ainda mais prazerosa quando ela é alcançada mesmo em meio à INGRATIDÃO e INDIFERENÇA. Isso mostra para mim mesmo que tenho um propósito com este projeto projeto, ao contrário de uma maioria que só sabem latir na internet se autointitulando “especialistas” de Japão, mas que nada fazem de realmente útil para o nicho.

Se pelos frutos conhecemos a árvore, então, este ano creio que consegui reforçar meu propósito com o projeto. Um novo leiaute para o Dicionário Ganbarou Ze!, um banco de sentenças extenso e exclusivo, além de ferramentas inovadoras no Brasil e talvez no mundo.

Assim foi 2025. Nada mudou com relação à ingratidão, indiferença e parasitismo do nicho com relação ao projeto, mas, em vez de desistir, respondi com ferramentas inovadoras e bancos de dados extensos e exclusivos. Com a ajuda das ferramentas de inteligência artificial, é claro!

E creio que 2026 será um repeteco deste mesmo filme: enquanto os autointitulados “especialistas” (de fachada) vaidosos e inúteis latem na internet, aqui continuarei a disponibilizar ferramentas e conteúdo gratuito. Mesmo com a contínua ingratidão, indiferença e parasitismo deste nicho…