Ontem, o Projeto Ganbarou Ze! completou 12 anos. Parece que foi ontem que coloquei no ar o blogue estando cheio de expectavas e desejando criar a maior comunidade colaborativa sobre língua japonesa do Brasil e quem sabe do mundo, dado o grande potencial criativo e de alcance que nós brasileiros temos. E confesso que o primeiro ano, em que consegui já atingir a marca de 6.000 seguidores no Facebook, havia me deixado ainda mais animado...
Com isso, comecei a tirar dinheiro do meu bolso e impulsionar publicações ainda animado com os 6.000 seguidores que tinha alcançado já no primeiro ano. Pessoas apareciam querendo se tornar colaboradoras do projeto e eu pensava que a comunidade colaborativa que eu tanto almejava estava enfim se formando. Contudo, aquele voo do primeiro ano nunca mais seria visto novamente nos anos seguintes. Tampouco aquelas pessoas que se aproximaram de mim querendo ser colaboradores jamais seriam vistas novamente...
Eu recebia e-mails: uns bem produtivos; outros nem tanto. O blogue ia crescendo em conteúdo, e eu em conhecimento. Com isso, nasceram novos conteúdos, como o “Gramática Fácil”, o “Como Aprender?”, o “Dicionário Ganbarou Ze!”, que inclui até mesmo jogos autorais e um injetor de Furigana avançado e interativo, além do livro "Aperte START! - Um Jogo Chamado Vida", cujas vendas serviriam para investir em mais conteúdo para o blogue e parcerias visando aumentar o alcance do projeto e abrir portas para brasileiros no Japão (e por que não para japoneses no Brasil).
12 anos se passaram e penso que fui ambicioso demais para a pouca relevância e pouco comprometimento do nicho em questão. Sim, desde o começo eu tinha consciência de que a língua japonesa tem pouco apelo no Brasil e é só considerar o pequeno e estagnado mercado editorial voltado à língua japonesa no Brasil. Contudo, eu pensava (e isto REALMENTE me decepcionou muito) que apesar de pequeno, o nicho seria capaz de se unir, colaborar e produzir algo realmente grandioso e revolucionário. Eu realmente pensava: “O Brasil tem condições de se tornar REFERÊNCIA NO MUNDO no ensino e didática de língua japonesa”.
Triste engano meu...
Um dos motivos que me levam a dizer que este nicho não é para mim é que eu tive as portas fechadas não somente pelo nicho em si, mas por GRANDES INSTITUIÇÕES e GRANDES INFLUENCIADORES relacionados ao Japão. Ou seja, se grandes instituições e grandes influenciadores fecham as portas e/ou ignoram este conteúdo, resta apenas o próprio nicho que o consome engajar e o divulgar, mas isso NÃO ACONTECE! Em outras palavras, estou praticamente preso a um ciclo, negativamente falando...
Eu gosto do mundo retrogaming e, para fazer uma analogia, gostaria de citar o Tiozão dos Games. Ele é uma figura polêmica, a quem vejo muitas críticas por supostamente se valer da moral que ele conquistou com personalidades populares do nicho para inflacionar o mercado de jogos retrô.
Ou seja: ele supostamente vende algo comum a preços altos apenas pelo prestígio que ele adquiriu de pessoas populares e famosas no nicho de games.
Pergunto: Qual o problema disso?
Eu sempre digo que o motor do ser humano NÃO é o dinheiro; é o PRESTÍGIO SOCIAL e é justamente o medo de perder o PRESTÍGIO SOCIAL que provavelmente faz pessoas consumirem o conteúdo do Ganbarou Ze!, mas não aparecerem na forma de divulgação e engajamento! Entretanto, alguém tem dúvidas de que se o NEYMAR começasse a estudar japonês pelo Ganbarou Ze!, as baratas que estão escondidas no esgoto apareceriam alardeando que conhecem o Projeto Ganbarou Ze! há tempos??
Percebe? Eu não precisaria necessariamente mudar o conteúdo; bastaria eu CONQUISTAR MORAL com alguém de prestígio para poder beber desse mesmo prestígio. E as pessoas brotariam como água para se sentirem igualmente prestigiadas também.
Por isso, aqueles que criticam o Tiozão dos Games por ele supostamente buscar o prestígio apenas de pessoas prestigiadas no nicho para inflacionar o mercado de games, no fundo fazem a mesma coisa: como somos movidos pelo PRESTÍGIO SOCIAL, queremos ser associados ao melhor emprego aos olhos da sociedade, às melhores pessoas aos olhos da sociedade, aos melhores atributos de beleza e de moda aos olhos da sociedade, a uma família unida, estruturada e próspera aos olhos da sociedade, etc.
E para este nicho, eu provavelmente não tenha esses atributos positivos aos olhos da sociedade... por isso, consomem o conteúdo na surdina. Ou seja, reconhecem o valor técnico do conteúdo, mas ao mesmo tempo, enxergam que estar associado à pessoa que o faz é uma possível ameaça ao prestígio social delas. Podem pensar: “Se uma pessoa com deficiência (alguém inferior) consegue aprender japonês, OS OUTROS podem pensar que o japonês não é algo exótico e difícil como quero que pensem para eu ser prestigiado” ou “Se eu demonstrar que estou aprendendo de uma pessoa com deficiência (alguém inferior), OS OUTROS podem pensar que sou burro”. E por aí vai...
Como eu disse, todos nós queremos ser associados ao melhor emprego aos olhos da sociedade, às melhores pessoas aos olhos da sociedade, aos melhores atributos de beleza e de moda aos olhos da sociedade, a uma família unida, estruturada e próspera aos olhos da sociedade, etc. Isso é o instinto de sobrevivência.
E um dos motivos que me leva a dizer que o projeto secou definitivamente é que, sabendo eu que deveria tentar CONQUISTAR MORAL com alguém de prestígio para poder beber desse mesmo prestígio, já entrei em contato com GRANDES INSTITUIÇÕES e GRANDES INFLUENCIADORES relacionados ao Japão sem ter tido sucesso...
Parece que para as grandes instituições, para os grandes influenciadores e para o PRÓPRIO NICHO, tudo está bom do jeito que as coisas estão. O Ganbarou Ze! (ou qualquer outro tipo de inovação) é totalmente desnecessário. Definitivamente, o nicho dos apreciadores do Japão é infelizmente o PIOR grupo social ao qual já tentei me integrar e não o recomendo a ninguém que espera realmente esforço coletivo e comprometimento por aquilo que dizem gostar (da boca para fora). Eu arriscaria até mesmo a dizer que muitos são apenas oportunistas que USAM o Japão para tentar passar uma FACHADA de pessoa supostamente mais virtuosa que os outros, algo muito comum no meio religioso e político, por exemplo. Se é pelos frutos que conhecemos a árvore, então, infelizmente a minha conclusão parece estar certa: muitos autonomeados “especialistas” de Japão que NADA fazem de realmente concreto, inovador e relevante e só repetem como papagaios as mesmas asneiras de sempre para parecerem supostamente mais virtuosos.
Apesar dessas adversidades, faz 12 anos que estou aprendendo e me divertindo com este projeto. E assim continuarei até quando o destino me permitir...