sábado, 22 de fevereiro de 2025

MOTIVAÇÃO E “DEFICIÊNCIA EMOCIONAL”

Como todos que acompanham este projeto devem saber, sou portador de paralisia cerebral. A primeira coisa que talvez venha à mente de muitos é que a deficiência física me limita, impossibilitando-me de fazer algumas coisas.

Sim, é verdade. Eu não posso, por exemplo, ter o objetivo de me tornar um jogador de futebol, pois fisicamente, tenho limitações. Digamos, então, que uma deficiência física, impõe obviamente uma barreira física a nós.

Agora, imagine uma pessoa sem deficiência física que não se torna um jogador de futebol, pois ela mesma NÃO acredita ser capaz de fazer isso...

Você concorda que em termos práticos e objetivos, essa pessoa acaba se igualando a um deficiente físico? Um não se torna jogador por possuir uma barreira física, uma deficiência física; o outro também não se torna jogador de futebol por ter uma barreira emocional, digamos... uma deficiência emocional (obviamente aqui não estou me referindo a transtornos e/ou condições básicas para ter uma vida digna).

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Certa vez, ouvi de um psicólogo que tudo no fundo é questão de como interpretamos as coisas. Embora ter uma limitação física seja objetivamente algo indesejado, subjetivamente falando, ela pode ser interpretada, por exemplo, como ter um desafio um pouco maior que nos motiva a crescer. Por outro lado, uma pessoa sem deficiência física pode ter objetivamente todas as condições para alcançar a sua meta, entretanto, se interpreta o mundo de uma forma distorcida e/ou negativa, pode acabar não aproveitando todos os recursos que tem nas mãos. Por causa de barreiras autoimpostas.

No fim das contas, quem tem chances de alcançar seus objetivos: um deficiente físico muito motivado apesar de suas barreiras físicas ou uma pessoa sem deficiência física, mas com uma deficiência emocional (barreiras autoimpostas)?

Talvez todos nós somos deficientes de algum modo: uns possuem deficiência física, outros, deficiência emocional (barreiras autoimpostas). E algumas formas de deficiência emocional podem ser difíceis de perceber, e muitas vezes são mais complicadas de lidar do que limitações físicas. Isso porque, em certos casos, essas barreiras internas podem levar a comportamentos prejudiciais, como manipulação, controle, parasitismo ou dependência excessiva dos outros. E o pior: por não serem facilmente identificáveis, essas atitudes podem ser normalizadas, permitindo que se perpetuem.