Em postagens anteriores, mostrei meu ceticismo com relação ao visto de férias e trabalho para brasileiros oferecido pelo Japão. Sou da posição de que tão importante quanto os estrangeiros aprenderem a língua e cultura do Japão se lá quiserem morar, é os japoneses aprenderem a acolher os estrangeiros e integrá-los TOTALMENTE como seus pares. Ou seja, é preciso ter uma contrapartida proporcional e realmente vantajosa para o estrangeiro que se dispõe a gastar tempo e dinheiro para aprender a cultura e língua japonesa. Sem isso, é muita ingenuidade achar que um imigrante, diante das muitas opções de países que ele pode escolher, vai optar pelo Japão, que só apresenta dificuldades e um retorno comparativamente muito baixo.
Tanto é assim que recentemente JORNAIS JAPONESES têm criticado duramente as propostas/políticas de endurecimento quanto a imigração, justamente por que os estrangeiros tem muitas outras opções e, além disso, tal postura tende a só manchar a imagem do Japão!
ÓBVIO, NÃO?
É por isso que sou crítico ferrenho dos passapanistas do Japão. Eles só estão preocupados em saciar seus próprios fetiches e frustrações, além de essas peças serem um total DESSERVIÇO para o nicho e para o Japão, pois afastam gente séria e possíveis novos interessados, assim como um fanático religioso acaba gerando o desprezo e aversão dos outros pela religião.
Dito isso, o Expat Insider 2026 avaliou 31 países e classificou o Brasil como o quinto melhor país para estrangeiros, sendo que um dos principais fatores para essa excelente colocação foi a boa receptividade dos brasileiros com relação aos estrangeiros, o que acaba facilitando muito as coisas para os estrangeiros, principalmente em sua adaptação ao Brasil.
ÓBVIO, NÃO?
Veja que o Expat Insider acaba validando o que sempre tenho dito por aqui: a questão do pertencimento, da acolhimento é crucial para o ser humano, pois oportunidades só podem chegar a nós através de outras PESSOAS: emprego, parcerias de negócios, amizades, relacionamentos afetivos, etc. Ou seja, quanto mais positivamente as pessoas nos enxergarem, mais oportunidades teremos. Quanto menos positivamente as pessoas nos enxergarem, menos oportunidades teremos.
Prestígio social = oportunidades.
Isolamento social = portas fechadas.
Um imigrante que se sente em casa é um imigrante que cria laços, que inova, que investe, que fica. Um imigrante que se sente de fora é um imigrante que leva seu talento para outro lugar.
E infelizmente o Japão continua com uma classificação muito baixa no Expat Insider justamente por causa dessa falta de integração com estrangeiros. Em pleno 2026 é triste ler a atestação de que estrangeiros no Japão serão sempre tratados como estrangeiros não importa o que se faça. Some-se o fato de que o Japão em 2026 caiu no ranking de proficiência do inglês, ficando bem atrás do Brasil e sendo o PIOR país asiático neste quesito. Isso parece pouco, mas eu particularmente vejo como um AUMENTO de desinteresse dos japoneses por outras culturas, afinal o inglês é uma língua franca. E digo mais: se eles têm se desinteressado pelo inglês que é uma língua franca, imagine, então, a falta de interesse por outras línguas e culturas…
Pelo visto meu ceticismo com relação à abertura de fato do Japão a outras culturas tende a só aumentar, infelizmente… e esse tema os autoproclamados “especialistas de Japão” não têm coragem de abordar…
E não me venham com o argumento de que 'o Japão é assim mesmo' ou que 'a cultura japonesa é única e incompreensível'. Isso é preguiça intelectual. A cultura não é um bloco de concreto – é um rio vivo. O Brasil provou que é possível ser acolhedor sem perder a identidade. O Japão pode aprender com isso, se quiser. Mas, pelos dados de 2026, a vontade parece cada vez menor.